sexta-feira, 29 de abril de 2016

Trocar o presidente não será a solução dos problemas (Por Thiago Muniz)

O brasileiro de um modo geral tem essa coisa de olhar para o cargo da presidência como a solução e a causa de todos os problemas do país.

Com um Congresso do nível desse que se viu no dia da votação do impeachment, somado a um Senado, são quase 600 pessoas barganhando aprovação ou vetos de projetos, mas o cidadão comum teima em se iludir que a vitória do seu candidato a presidente, ou a saída do que foi eleito (se não foi o que ele votou) é o X da questão, e com isso acaba ignorando todo um complexo sistema.

É risível ver as pessoas falando - "partido X acabou com o país" - porque antes do PT virar governo a miséria era maior, o desemprego era maior, as taxas de juros eram maiores, o país teve de racionar energia e a população era menor, sem falar na inflação que a ditadura militar deixou de herança anteriormente, porém, o foco aqui não é defender um governo cheio de falhas que, entre outras coisas, também está pagando o preço por ter se acomodado no sistema viciado dos anteriores ao invés de brigar pelas reformas necessárias, nem que para isso fosse necessário abrir um canal de diálogo com a população para pressionar a má vontade do Congresso ao invés de aderir ao joguinho de toma lá, dá cá.

Mas deixando de lado as questões de governabilidade, que em um sistema que não é parlamentarista não justifica a troca do Chefe de Estado, analisemos então a legalidade desse impeachment.

Um corrupto na condição de Presidente da Câmara aceita um processo em calar retaliação pelo fato do partido do governo ter se recusado a votar em sua causa no Conselho de Ética.

O vice presidente da República orquestra seu partido para abandonarem a base, mas ele próprio não o faz, conspirando assim para assumir a cadeira, sendo que assinou as mesmas pedaladas que servem de acusação para o processo da Presidente.

Mais 16 governadores e sabe-se lá quantos prefeitos praticaram as mesmas pedaladas, assim como os Presidentes anteriores, e isso nunca destituiu ninguém, mas agora pode seletivamente derrubar uma presidente que em meio a um cenário de corruptos não tem uma acusação de enriquecimento ilícito pesando sobre si.

Se isso que tem cheiro de golpe, cara de golpe, enredo de golpe e é visto no mundo inteiro como golpe não se trata de um golpe, então é o que? A salvação do Brasil pelas mãos de Temer e Cunha? Alguém acredita que esses caras querem salvar alguma coisa além da própria pele? Ou acreditam que vão "derrubar um por um" até que se encontre o governante ideal?

Por mais que não se aprove um governo, é impossível não notar a incoerência dessa manobra antidemocrática diante do mínimo de informação.

Além de tudo é preciso que se diga (e a grande mídia criminosa não o faz) que o pedido patético de impeachment feito por uma surtada e ex-cargo de confiança no governo FHC e um integralista (Fascista) é baseado nas chamadas pedaladas fiscais.

Não é com base na Lava Jato (que também não daria base ao pedido de impedimento da Presidenta). Pedalada fiscal não configura crime de responsabilidade. E, se configurasse, Temer e mais 17 governadores também o fizeram, incluindo Geraldo Alckmin e o relator da comissão do golpe no Senado, o lacaio de Aécio Neves.

As pessoas sequer conhecem o teor do Art 85 da Constituição Federal de 1988 e a lei 1079/50 e falam exatamente o que a mídia sonegadora de 615 milhões e notificada 766 vezes manda.

É golpe pois não há crime de responsabilidade. Qualquer giárdia leiga que tenha lido o referido artigo e a referida lei percebe isso. É golpe pois o que está em jogo não é a luta contra a corrupção. Se fosse, o grito em todo o território nacional seria FORA CUNHA e não fora Dilma. é apenas uma articulação dos bandidos liderados por Eduardo Cunha, apoiados por fascistas como Bolsonaro e aplaudidos por analfabetos funcionais.

Um eventual governo Temer é ilegítimo pois não nasceu das urnas e nem de um processo lícito, legal, honesto. Terá nascido de um golpe contra a democracia e reconhecer isso não faz de ninguém um defensor do Governo (só midiotas pensam assim). Eu, por exemplo sou de oposição ao Governo Dilma por algumas razões:

- Não aprofundou a reforma agrária;
- Não regulamentou a mídia;
- Não implementou o imposto sobre grandes fortunas;
- Não auditou a dívida interna;
- Se descolou dos Movimentos Sociais, governando para o criminoso mercado;
- Sancionou o AI-6, a tal lei anti-terrorismo.

Dessa maneira, um possível governo Temer será o caos para o trabalhador, com perdas de direitos trabalhistas, perda de liberdades, fortalecimento do racismo, machismo, homofobia, misoginia, aumento da favelização, da miséria, da fome e, consequentemente, da violência. 

Só será bom para os 367 bandidos da Câmara e para os cúmplices que os apoiam.











BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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